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Aprender através do Fazer

 

No âmbito do evento “Prémios Empresa 2016 Casa Pia Lisboa”, Rita Sampaio e Vasco Cosme tiveram oportunidade de falar sobre um tema muito especial para os makers: A importância de aprender através do Fazer!

Partilhamos convosco a participação dois dois oradores neste evento:

“Já o dissemos e voltamos a repetir: é fantástico perceber como uma instituição como a CASA PIA, que há séculos reabilita vidas pela via do ensino, pode ser das que mais modernas se estão a tornar para o continuar a fazer.

As grandes (r)evoluções não começam num único sítio: os grandes movimentos da História são como movimentos globais que num dado momento arrastam as sociedades para um novo patamar de evolução. Este é um desses momentos. As sociedades mais avançadas estão a reformular os seus sistemas e conceitos de ensino, e é com tremenda admiração que apontamos a Casa Pia como um precursor e um agente de mudança para um novo paradigma que está já em criação.

O exemplo finlandês

É uma feliz coincidência, ou um desígnio natural, que a Casa Pia tenha criado um modelo – os STUDIOS – que é em tantas coisas semelhante ao que por exemplo a Finlândia, que tem um dos sistemas de ensino mais avançados e com melhores resultados do mundo, está neste momento a colocar em funcionamento.

O sistema finlandês, avaliada pela OCDE como o melhor da Europa, quis reformular o seu sistema de ensino, depois de em 2012 ter perdido o primeiro lugar mundial. E, para retomar essa liderança, está a apontar a uma dinâmica semelhante à que a Casa Pia está a desenvolver nos seus STUDIOS.

Para fazer crescer o sucesso, mas também o entusiasmo escolar, há que ter primeiro a noção de que os programas devem ser centrados nos alunos e não nos currículos. Estamos num mundo em mudança e há paradigmas que têm de mudar.

O novo paradigma na Finlândia (como também o é nos EUA e em vários pontos do mundo, e nos STUDIOS da Casa Pia) é o de levar as escolas pelo caminho do APRENDER ATRAVÉS DO FAZER (num contexto de ‘temas alargados’) e da DIGITALIZAÇÃO.

Minna Huotilainen, investigadora na área do funcionamento cerebral e membro da Uppsala University’s Swedish Collegium for Advanced Studies, confirma que “do ponto de vista do cérebro, pequenas ações físicas, estímulos à criatividade na resolução de problemas, crafts, são modos naturais de aprendizagem“. Há por isso que levantar a velha barreira entre o mental e o físico, em prol de uma aprendizagem mais natural e com melhores resultados. Uma ferramenta utilizada é o ensino através de ‘temas alargados’, que são um exercício de aplicação de múltiplas áreas de conhecimento nas abordagem aos temas. Num mundo globalizado, em que a multiplicidade de culturas, de conhecimento disponível e de interações transglobais, essa é uma abordagem que se mostra cada vez mais adequada.

A digitalização – a utilização de tecnologias e ferramentas digitais, máquinas de controle numérico, é apenas a constatação de que vivemos num mundo cada vez mais digitalizado e que os nossos alunos têm de estar preparados para serem vencedores nesse mundo.

Os novos profissionais das indústrias

Esta reformulação de paradigmas tem também um interesse muito específico: a Europa precisa de se reindustrializar para competir com as economias emergentes. As últimas décadas viram milhões de empregos serem eliminados na Europa com as deslocalizações de fábricas para a China e outros destinos de mão-de-obra barata.

Para voltar a criar esses empregos no espaço Europeu, há que transformar a própria indústria, e abraçar aquilo que hoje se chama de Industria 4.0.

E essa indústria necessita de trabalhadores altamente qualificados, multitaskers, com um espectro muito alargado de conhecimentos técnicos. Mas também trabalhadores bem dotados ao nível dos soft skills: curiosos, colaborativos, criativos, resilientes, tudo caracteristicas que se desenvolvem em contexto de STUDI

Este é o trabalhador, não do futuro mas do presente, e são estas as pessoas que a Finlândia, e a CASA PIA, querem ajudar a formar nos seus países e na economia europeia.

Abraçar a mudança

O futuro do ensino estará mais ligado ao Fazer, e há que preparar as salas de aula e os professores para isso. Sabemos que a maioria dos adultos foi educada num sistema de alunos sentados e quietos, com disciplinas estanques entre si e que esta nova abordagem pode trazer dificuldades de adaptação.

A mudança nunca é fácil, já o sabemos. Mas saber viver num mundo em mudança e saber adaptar-se é também um skill com que devemos preparar os nossos alunos.

Se a nossa condição de portugueses nos faz acreditar de que lá fora é que é bom, vejam o que se faz na Finlândia. Para os que acreditam que em Portugal e na Casa Pia se ensina bem desde sempre, olhem para os STUDIOS da Casa Pia.”

Rita Sampaio e Vasco Cosme

Fábrica Moderna

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