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Entrevista com Sara de Praetere, fundadora da Startup Magazine

Entrevista Startup MagazineJá conhecem a Startup Magazine? Esta revista é dedicada ao mundo do empreendedorismo e foi criada pela Sara de Praetere.

A Sara criou uma publicação mensal, que divulga, motiva e interliga empreendedores de startups. A principal missão da revista é informar sobre a atualidade e tendências no mundo empresarial, nas áreas tecnológicas, financeiras e criativas. As palavras chave ligam-se com a motivação, envolvimento e desenvolvimento, partilhando casos de sucesso e de inspiração mas sobretudo fortalecer a marca Portugal e o empreendedorismo.

A Maquijig orgulha-se em apoiar o empreendedorismo em Portugal e partilhamos convosco este fantástico caso de sucesso, preenchido com muita perseverança e dedicação!

Maquijig: Sendo a primeira revista portuguesa dedicada ao universo das startups, de onde surgiu a primeira ideia deste projeto?

Sara: Já lia a Wired, a Fast Company e a Entrepreneur há algum tempo e quando entrei no mundo do empreendedorismo, comecei a ler ainda mais revistas sobre o tema. Rapidamente percebi que este tipo de informação em Portugal era escasso e que não existia nenhum meio de comunicação dedicado a este segmento. Lisboa foi considerada a capital do empreendedorismo em 2015 e quando comecei a validar a ideia junto de várias pessoas mais próximas, a Web Summit decidiu vir para Portugal, pelo que tudo pareceu fazer cada vez mais sentido.

M: O empreendedorismo sempre fez parte da sua vida?

S: O meu avô era empresário e desde muito cedo comecei a trabalhar com ele para ganhar uns gelados.

M: Antes desta revista, já tinha pensado em começar um negócio como opção de vida? 

S: Um pouco antes de acabar o MBA comecei a ter vontade de me libertar da estrutura de trabalho demasiado cartesiana onde me inseria, ainda que bem remunerada, decidi largar tudo para explorar novos horizontes. Incentivada pela minha mãe, troquei o certo pelo incerto para construir algo de raiz. Ocupamos os armazéns Abel Pereira da Fonseca em Marvila, abandonados com mais de 100 anos, e reabilitamos um edifício como espaço de coworking. Foi aí que comecei a ter maior noção do que se estava a fazer em Portugal e do potencial criativo dos portugueses. Quis apoiar novos projetos ou projetos existentes que procuravam inovar para servir as novas necessidades de mercado.

M: O que lhe dá maior prazer neste projeto?

S: Adoro conhecer novos projetos, descobrir o que de novo se está a fazer e para onde vamos. Adoro sentir a paixão no discurso dos empreendedores. Todos sentimos que este é um tempo de descoberta e de certa forma é bem verdade. A motivação de sermos pioneiros é absolutamente contagiante.

M: Existe alguma entrevista especial que gostasse de ver na Startup Magazine?

S: Penso que gostaria de conhecer pessoalmente todos os empreendedores que construíram algo de único ou que são exemplos de liderança. O Phillipe Stark, o Vhils, o Elon Musk, o Jack Ma, etc. seria uma lista a perder de vista.

M: Quem é o seu modelo/ a sua inspiração para se manter motivada?

S: Felizmente tenho duas pessoas na minha vida, desde sempre, que me servem de inspiração. Ambas empreendedoras, do zero construíram os seus negócios e hoje são reconhecidas nos seus meios por mérito. Trabalharam dias e noites, fins-de-semana e feriados para chegar onde chegaram. E agora que podiam gozar a vida, continuam! Porque o que lhes dá verdadeiramente gozo é o que fazem e as vidas que tocam com o seu trabalho. Acho que é mais fácil lutarmos e darmos tudo quando temos pessoas ao nosso lado a fazer o mesmo.

M: Os portugueses estão a ficar com uma mentalidade mais empreendedora?

S: Tive a sorte de estudar e trabalhar fora durante uns anos, talvez nos anos de maior mudança em Portugal. E quando voltei descobri portugueses cheios de garra. Só em 2010 é que eu vi e senti e por isso acho que a crise económica despontou em nós uma enorme vontade de dar a volta e vencer. As “palmadas nas costas” que temos recebido dos meios de comunicação internacionais também são motivadores para continuarmos a apostar no empreendedorismo, e sobretudo, tiro o chapéu a quem tem feito grandes esforços para colocar Portugal no mapa do empreendedorismo da Europa e do Mundo.

M: Na sua opinião, qual a principal característica pessoal que um empreendedor deve ter?

S: Perseverança. Ser empreendedor é duro, não temos um ordenado garantido ao final do mês e não é para isso que trabalhamos, colocamos todos à nossa frente desde clientes a fornecedores, portanto temos de fazer acontecer a todos os níveis para colher os frutos. O início é cheio de obstáculos, todos os dias é um desafio, é preciso saber avaliar cada momento, tomar uma decisão e acreditar que estamos a trilhar um novo caminho e que recompensará. Um amigo uma vez disse-me: “I never said it would be easy, I only said it would be worth it” citação de Mae West, e todos os dias confirmo que é verdade e estou grata pelas decisões que tomei.

M: Como lida com o fracasso?

S: Sou muito critica em relação a mim própria, mas acho que um elevado nível de exigência só nos leva mais longe.

M: Tem algum “truque” para estimular a criatividade?

S: Não tenho nenhum truque específico para estimular a criatividade. Adoro uma boa noite de sono, chego ao cowork, bebo um café forte e sou capaz de despachar trabalho de 2 dias em 6h seguidas. Mas não acontece todos os dias, é preciso estar no mood certo. Um bom truque é fazer uma lista dos objetivos do dia seguinte e acordar a pensar neles.

M: Muitas vezes, ser empreendedor não nos permite ter um horário de trabalho regular. Como concilia este projeto entre os outros?

S: Esta é a melhor parte de ser empreendedor, pois qualquer tarefa tem de ser feita com gosto e vontade. Daí ser contra os horários de trabalho. Há pessoas que são mais produtivas de manhã outras mais ao final do dia, pelo que desde que o trabalho seja feito, porquê picar o ponto? Tudo é possível de conciliar quando gerimos o nosso próprio tempo, desde que as pessoas saibam gerir as prioridades, nada é impossível.

M: Como identifica uma boa oportunidade?

S: Uma boa oportunidade verifica-se quando a solução resolve um problema comum. Os bons negócios são os que identificaram uma lacuna no mercado.

M: Quando surge um problema ou obstáculo, qual é a primeira coisa em que pensa?

S: Como é que o vou resolver! Começo por começar a debitar soluções a quem estiver a olhar para o problema comigo, a maioria não é viável, mas chegamos sempre a uma que resolve. Sou apologista de criar debate em torno de problemas para ter a certeza de que aplicamos a melhor solução possível.

M: Tem algum conselho para quem deseja entrar neste “universo”?

S: É preciso ter paixão pelo que se quer fazer, não podemos desenvolver projetos ou criar empresas porque não temos nada melhor em mente. Acho que se certas condições se verificarem e a pessoa decidir avançar então o melhor concelho é que deem tudo o que têm e que não desistam no primeiro obstáculo.

As publicações da Startup Magazine estão disponíveis na Maquijig, mas podes descobrir mais em: