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Indústria 4.0

Industria 4.0 ou Quarta revolução Industrial, por Eng. Jaime Ribeiro (amigo e fundador do Makerspace)

Está na moda falar, sobre i4.0 em tudo que sejam apresentações, seminários e workshops. O problema é que, seguindo a tradição portuguesa, por cá, são muitos os que falam e poucos a fazer e nesta era de mudança, como em outras passadas, quem não souber fazer fica, irremediavelmente, para trás e fora dos processos de criação de valor.

História
Para nos enquadramos, sobre o que é isto da i4.0, convém lembrar que o conceito de quarta revolução industrial se estabeleceu por analogia com as chamadas revoluções industriais anteriores. Assim:
Considera-se que a Primeira Revolução Industrial (1770-1900), correspondeu ao período da mecanização dos processos produtivos através da força da água ( caso das zenhas ) e do poder do vapor ( fabricas, comboios, etc.) e que se caracteriza pela substituição dos animais pela energia mecânica.

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A Segunda Revolução Industrial (1900-194X), corresponde à época do desenvolvimento da electrificação, das comunicações telefónicas analógicas e da produção em grande escala. Foi a época do quanto maior melhor, das linhas de produção em série, com o trabalho subdividido em tarefas tão pequenas quanto possível, para permitir utilização da mão de obra não qualificada e então abundante. São excelentes exemplos deste período as fábricas de produção automóvel , nomeadamente da Ford e os métodos de organização do trabalho baseado no Fordismo e no Taylorismo, generalizados por todas as áreas e dimensão de actividades. Em Portugal e com alguma relevância foi durante este período que emergiram algumas actividades industriais significativas, associadas à CUF, industria de lanifícios e

Textil, mas também nas áreas da mecânica. A força da cultura organizacional desta Segunda Revolução, foi tal que passados mais de 50 anos, da emergência da terceira revolução industrial, continua a haver demasiada gente a pensar como se vivessem em 1950.

Terceira Revolução Industrial ( 195X – 20XX), surge naturalmente pela evolução dos processos e das necessidades da actividade industrial se tornar mais competitiva, para maior satisfação dos clientes, através de melhor qualidade dos produtos, redução de custos e prazos de entrega, mas também devido ao aumento de “players ” industriais (nomeadamente do Japão ) e à exigência de maior humanização do trabalho. É nesta fase que aparece o sistema organização do trabalho, Sócio – Técnico, criado em Inglaterra, por Frederic Emery, como alternativa aos modelos de Henry Ford e Frederic Taylor.
Entretanto, o desenvolvimento da electrónica digital, dos computadores, do hardware e software, e da automação dos processos que, no essencial, caracterizaram as duas últimas décadas desta fase, permitiu também um notável progresso nos sistemas de comunicação, cada vez mais rápidos, facilitando uma maior partilha de informação que a Web tem vindo a potencializar, a níveis que nos surpreendem todos os dias. Durante este período, Portugal construiu e destruiu o seu parque industrial, em parte endógeno, por força dos planos de fomento nacionais, que contribuíram para o desenvolvimento industrial de várias regiões e de variadas actividades; Construção e reparação naval, Cimentos, Celulosas e papel, Mecânica pesada e ligeira e de precisão, máquinas ferramentas e eléctricas e todo um conjunto de produtos domésticos como frigorifico, rádios, televisores etc, etc.
E, em parte exógeno, porque o aparecimento de mão de obra mais qualificada e os apoios ao investimento estrangeiro permitiram a atracção de investimento produtivo, nomeadamente Americano, Inglês e Alemão. Foram os casos da produção de Disk Drives (Control Data ); Relógios ( Timex ), Telefones ( Plessey ), Memórias de Computadores ( Applied Magnetics); Circuitos integrados ( ), Televisores e Rádios ( Standard Electrica e Philips e Grunding ); Confecção ( James ) e muitas outras de variados sectores e dimensão e que no conjunto empregavam milhares de pessoas.
Curiosamente não foi a evolução tecnológica resultante desta revolução industrial quedestruiu e fechou a maioria dos empregos e empresas mas outra revolução …

i4.0
A capacidade criativa de alguns, potenciada pela melhoria do acesso á educação e às universidades e os recursos financeiros de outros ( proporcionados pela terceira revolução industrial ), têm permitido, em todo o mundo, um desenvolvimento da ciência e da tecnologia a níveis nunca antes alcançados, sobretudo nas áreas da informática, da Web e mais recentemente da inteligência artificial (IA), o que tem permitido a emergência de novas tecnologias e a melhoria de outras já conhecidas das fases anteriores ; umas mais recentes, outras mais maduras.

A conjugação destas destes factores e dos recursos desenvolvidos, tem permitido uma mudança significativa de atitude nos meios de produção que gradualmente, nos últimos 25/ 30 anos tem permitido a alteração do foco nos resultados para a melhoria dos processos, na última década fortemente reforçada pelo aparecimento da programação e impressão em 3D, que está a permitir alterar o paradigma de produção na eliminação do desperdício no processo produtivo, com a passagem de remoção para a adição de material no processo produtivo.

Por outro lado a inteligência artificial associada à internet e ao mundo das coisas está a conseguir o desenvolvimento de sistemas chamados de ” learning machines ” em que os equipamentos comunicam entre si. Um dia, lá em casa, vamos ter a torradeira e outros aparelhos domésticos ligados à internet, trabalhando para satisfazer as nossas necessidades. No dizer dos especialistas , o que vai distinguir a terceira da quarta revoluções industriais é o facto de naquela a mão de obra ter sido, em grande parte, substituída por máquinas e nesta o objectivo é colocar as máquinas a comunicarem entre si, sem ou com reduzida intervenção humana .

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Oportunidade
Já e cada vez mais no futuro, com os computadores a controlarem os processos e equipamentos de produção tornou-se possível fabricar produtos em pequenas séries sem o aumento de custo inerente nos processos anteriores, o que vai permitir uma excelente oportunidade de produção à medida, para satisfação dos clientes . Hoje a produção com processos digitais permite o que já foi rotulada de “produção artesanal tecnológica ” e esta é uma oportunidade para todos os que a isto se dediquem com entusiasmo e criatividade.