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“Pretendemos contribuir para o fortalecimento de redes empresariais na região” Rita Sampaio – Diário da Região

Makerspace - Rita SampaioNos dias 18,19 e 20 de Setembro, o Centro de Empresas Maquijig, em Palmela, vai receber a 1.a Feira do Empreendedorismo do Distrito de Setúbal. Rita Sampaio, da organização do evento, explica ao DIÁRIO DA REGIÃO o que se pode esperar destes três dias.

Como surgiu a ideia de organizar a 1.a Feira do Empreendedorismo do Distrito de Setúbal?

O CEM Centro de Empresas Maquijig tem sido, nos últimos tempos, palco de inúmeras iniciativas empresariais, como workshops, reuniões de empresários, Encontro de Associações Empresariais. Surgiu então a ideia de, conjuntamente com organizações empresariais da região (COPPR, FIAPAL, AEPACTIV, APIC, AES), e que mantêm relações de parceria com o CEM, dar maior visibilidade a essas iniciativas, e também dar a oportunidade às empresas de divulgarem os seus produtos/serviços e, ao mesmo tempo, realizarem reuniões de Networking para obtenção de contactos. Queremos também mostrar às pessoas um potencial empreendedor que sempre soubemos existir na nossa região.

Nos tempos que correm, considera que esta colaboração entre associações empresariais em torno de projectos comuns pode assumir uma importância crescente?

Sempre defendemos que o trabalho em equipa é a melhor forma de se atingirem os objectivos propostos. As associações empresariais representam conjuntos de empresas e estão em contacto permanente com a realidade económica das regiões. Iniciativas individuais não têm efeito de escala, apesar de terem o seu mérito. Sendo assim, entendemos que juntar várias associações empresariais numa iniciativa deste género seria a melhor forma de promover/divulgar o tecido económico da região.

Que actividades vão realizar-se ao longo dos três dias de feira?

Consideramos que o momento alto do evento será a inauguração do Makerspace Maquijig, ou seja, um espaço onde existem máquinas para Fabricação Digital dos mais diversos produtos e onde os Makers darão aso à sua criatividade na transformação de ideias em novos produtos, que poderão vir a ser industrializados e inclusive a dar origem a novas empresas. É aquilo que nos EUA já se designa como a Revolução Industrial do século XXI. Nós vamos ser pioneiros em Portugal nesta nova forma de fabricar.

Ao longo dos três dias, vão realizar-se aproximadamente 50 workshops, onde os palestrantes (cerca de 50) são convidados a falar em temas à volta do empreendedorismo, como por exemplo: “Como utilizar um Makerspace para desenvolver o seu negócio”, “Os escritórios do futuro” ou “Formas de desenvolver o empreendedorismo social”. Cerca de 70 expositores vão mostrar os seus produtos e serviços afins. Vão ocorrer, também, degustações de produtos regionais. Ao longo dos três dias de feira, recorrendo à plataforma Meethub, vão realizar-se encontros de Networking, onde os empresários/empreendedores terão a oportunidade de trocar contactos e até realizarem negócios entre si.

O que se pretende com este evento?

Ajudar as empresas, pequenas e grandes, na divulgação dos seus produtos, contribuir para o fortalecimento de redes empresariais na região, contribuir para o fortalecimento do espírito empreendedor, fundamental para a criação de emprego e sucesso das empresas, e envolver cada vez mais as pessoas e comunidades locais nas potencialidades que o empreendedorismo traz para as suas vidas e desenvolvimento económico.

Que vantagens/mais-valias poderá trazer, tanto para as associações empresariais que organizam a feira, como para as empresas participantes?

Numa única palavra: mais negócio. A partir daqui, tudo o resto é mais fácil de se alcançar: empregos, qualidade de vida, etc.

Como vai funcionar o novo Makerspace que vai ser inaugurado no primeiro dia da feira?

O Makerspace Maquijig é um espaço com aproximadamente 500 metros quadrados e onde vamos encontrar variados equipamentos, essencialmente de Fabricação Digital. Os membros do Makerspace pagam um “fee” anual e ficam com acesso às máquinas, ferramentas, materiais, apoio técnico, acções de formação para utilização das máquinas. Deste modo, um membro, ou melhor Maker, como é designado, pode desenvolver as suas ideias, conceber novos produtos, partilhar experiências com os outros membros, e finalmente, fabricar um protótipo e até pequenas séries para comercialização. Podem ser meros curiosos, hobistas, criativos, inventores, cientistas, empreendedores ou então pequenos empresários que, com pouca despesa, podem iniciar a sua empresa e produzir os seus produtos sem necessitarem de instalações e máquinas próprias. Também podem recorrer a este espaço técnicos de empresas de maior dimensão e que queiram desenvolver protótipos de produtos que, mais tarde, vão fabricar nas suas fábricas, aí sim em quantidades elevadas.

O Makerspace também vai estar aberto a escolas, universidades, institutos. Estudantes, jovens, desempregados, reformados, terão condições especiais de acesso ao Makerspace. Em articulação com o Lions Clube de Palmela, o Makerspace vai apoiar socialmente pessoas necessitadas, nomeadamente jovens, oferecendo acesso gratuito às suas instalações.
O Makerspace vai realizar cursos/aulas e workshops para formação dos membros e não membros, abertos a toda a comunidade, nas mais variadas tecnologias e matérias.

Que necessidades levaram à sua criação?

A percepção da dificuldade em as pequenas empresas terem instalações e máquinas próprias para o desenvolvimento da sua actividade, permitir que empreendedores/empresários desenvolvam as suas ideias/produtos e que fabriquem em pequenas quantidades, competindo deste modo com as empresas de fabricação em larga escala, a inexistência na região de um lugar com as características de um Makerspace, a vontade da comunidade empresarial da região em ajudar os jovens e estudantes e a percepção de que esta via será o futuro de grande parte da produção industrial. Em Portugal, existem efectivamente algumas iniciativas de DIY (Do It Yourself), como Fablabs e Hackerspaces, mas um Makerspace de cariz comercial o nosso é o primeiro.

Quais são as expectativas quanto à sua utilização futura?

O Makerspace Maquijig já tem vários membros, mesmo antes do seu arranque oficial. Contamos rapidamente atingir os 50 membros. Algumas empresas estão a patrocinar o Makerspace, dada a grande expectativa em relação ao seu desenvolvimento futuro. Esperamos vir a adquirir mais máquinas, nomeadamente,
com apoio de sponsors que vêem aí uma excelente oportunidade para promoverem os seus produtos. À semelhança do que aconteceu noutros países onde este conceito é já uma realidade, nomeadamente Estados Unidos, estamos convencidos de que algumas start ups vão nascer no Makerspace Maquijig e esperamos que se venham a transformar em empresas de sucesso. Também no seguimento de solicitações já feitas nesse sentido, o Makerspace Maquijig vai ser muito procurado pelas empresas grandes para o desenvolvimento de protótipos.